sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Tem quem pense assim também

Ela era a garota mais linda. Ela era uns dez centímetros mais baixa que eu, tinha cabelos loiros, que contra o sol ficavam mais lindos. Os olhos dela cintilavam toda vez que se encontravam com os meus (ou talvez isso de cintilar seja apenas uma ilusão minha), ela tinha uma pele branca, talvez ela seja meio albina, ou não. A sua voz, toda vez que entrava em meus ouvidos...ah como eu amo quando ela fala comigo. Seria mentira se eu dissesse que tenho um CD com a voz dela gravada, mas fazer isso não me parece má ideia. Pode-se até dizer, que eu acho que estou realmente gostando dela. Isso me apavora, por que são tantas as coisas que podem acontecer, e a indagação que fica na minha garganta é aquele velho e maldito "e se?".
Um dia ela veio em minha direção e disse "Oi". Simples, eu sei, mas eu sorri e ela me abraçou, e cheguei a conclusão que não sei mais como agir quando eu estou gostando de alguém. Me senti um bobo, mas coloquei as mãos na cintura dela, até perceber que talvez ela não gostasse disse então subi o braço, e então inspirei e voltei a cintura dela no momento em que senti o perfume dela. Eu não voltei voluntariamente, eu simplesmente relaxei, me senti um bobo, mas daí ela sussurrou em meu ouvido "tu tá bem?", eu assenti e disse "eu tô, e tu? Tá bem?". Ela assentiu também, e me deu um beijo na bochecha, sorriu para mim e eu me senti estranho. Meu estômago se remexeu, meu pulmão abriu mais espaço para o coração e a necessidade de tudo foi diminuindo em relação a necessidade de estar com ela. Meu coração ficou maior, para eu poder amar mais e mais ela, e eu juro que ouvi na minha mente ela disse "calma, divide este amor com o meu coração." Eu nunca mais parei de pensar nas possibilidades. Eu não pude resistir em pensar nela enquanto adormecia em minha cama.

Há histórias que duram a vida inteira, mas não são dignas de serem contadas para os netos. Mas há histórias que duram um simples ano, que são dignas de livro, e olha que existem. Queria poder dizer, de peito cheio (de coragem) que eu sinto algo, mas o "e se?" me deixa aflito. Me dá um nó na garganta. Eu embrulho uma folha de papel dentro de um envelope, dentro tem uma carta, nessa carta eu escrevi "a droga pela qual escolhi morrer, é o nosso amor." Eu fechei o envelope e coloquei-o em minha cabeceira da cama. Fiquei apenas o observado. Mais uma vez, eu adormeci pensando nas possibilidades.
Pode até ser que eu reze em busca de coragem, mas o que quer que seja a minha busca, devo começar procurando dentro de mim, e se eu não tiver, é melhor eu começar a construir. E se chover, que eu me molhe, mas ainda estarei sorrindo, pois aquele simples "Oi" me olhando nos olhos, me fez imaginar as coisas daqui a 20 anos, mas e se por um acaso nada acontecer, ainda tenho uma vida inteira para me decepcionar e ser feliz. É mais uma escolha, eu acho. Tu pode pensar nesse "eu acho", mas o fato de que eu posso amar, faz com que me apareçam escolhas. Então que eu penso em mim, em minha família, penso nela, nos meus amigos: penso no que será melhor. Melhor pra mim? Melhor pra ti? Melhor pra quem? Não é do meu feitio gostar de ver alguém chorar, mas se por um acaso for assim, vou tentar escolher todas as opções...eu dou um jeito, talvez eu possa ser desclassificado dessa prova marcando mais de uma opção, mas estamos falando de coração e não de obsessão.

Eu adormeci nessa linha, pensando nela. Pensando no que dizer. - MOCHILEIRO

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